PETER CAIRNS - ÁGUIAS-PESQUEIRAS, FINLÂNDIA
October 31st, 2009 Posted in Northern Europe, UncategorizedOther Languages:
O Wild Wonders tornou-se num velho e confortável sapato – só sentimos a sua falta quando desaparece. E para mim – pelo menos em termos fotográficos – acabou de desaparecer. À medida que as imagens da equipa de sonho se foram acumulando ao longo do verão – e que boas fotos – eu embarco na minha missão final, para capturar aquele que é provavelmente o maior sucesso de conservação no continente: a Águia-pesqueira.
As Águias-pesqueiras são caçadoras de peixe por isso parece fazer sentido ir para onde exista peixe em abundância. E por isso, lá vou par Kangasala, no sul da Finlândia. Nada de zonas selvagens remotas mas para uma exploração de aquacultura!
Dia 1: Após uma fria (e não planeada) noite num abrigo escuro, acordei ás 6:00h com um grande chapinhar lá fora - a primeira águia tinha mergulhado nas águas turvas em busca da sua presa. Se houvesse um prémio de design para aves, estes predadores altamente eficientes, ficavam com o prémio. Voando em círculos e sem esforço por cima da exploração, a queda de um ombro fá-las cair num voo em espiral em direcção á água com as suas garras esticadas para apanharem a sua presa debaixo de água. E depois, completamente submersas do pescoço para baixo, rodam o peixe nas garras e conseguem levantar voo com a sua refeição de volta aos céus em busca de um local seguro para se alimentarem. Definitivamente, fica na categoria do Inesquecível para o Wild Wonders of Europe.
45 águias mergulham mais tarde e apesar do potencial óbvio, ainda não tirei qualquer fotografia. As águias pescam contra o vento, o que significa que a não ser que os ventos soprem numa determinada direcção, a aves não irão mostrar mais do que as suas costas! Após 13 horas no abrigo, saio animado mas com os cartões CF vazios.
Dia 2: Neblina. Adoro neblina e o amanhecer trouxe-a aos montes esta manhã. Às 7:00h já tenho algumas imagens – longe da perfeição mas já é um começo. O vento mudou e a primeira hora é bastante produtiva. A actividade vai abrandando á medida que o dia avança até que tenho um bónus – um raramente visto (pelo menos para mim) cão-mapache. Fiz algumas imagens desde o abrigo e tentei chamar a sua atenção com um incrível nível de sucesso!
As águias são um trabalho em curso mas estamos atentos e na corrida. E depois uma verdadeira surpresa. Enquanto me sento mais os meus colegas para o chá do fim de tarde, aparece uma lebre seguida por aquilo que nós pensamos inicialmente ser um cão. Um cão não, uma corça. Está a 75 metros de distância e a luz é fraca. Vem na nossa direcção e já se começa a não parecer com uma corça. Anda como um…Lince! Um Lince selvagem vem na nossa direcção – a uns 25 metros de distância. Incrível. Mandei uma mensagem a um fotógrafo do WWE Jari Peltomäki – um finlandês que muito tempo em sítios selvagens e que nunca viu um. Uma experiencia de criar arrepios na espinha que irei carregar sempre comigo.
Dia 3: Hoje há menos mergulhos mas pelo menos o vento está na direcção certa e tiro algumas fotos de que gosto. O cão-mapache volta a aparecer e consigo fazer alguns retratos. Parece que hoje á noite vai chover.
Dia 4: Choveu e muito. A manhã torna-se aborrecida com poucos mergulhos e poucas imagens. A tarde trás melhores condições e uma forte brisa, que faz mover as águias mas estas aves rápidas não são fáceis de apanhar.
Dia 5: Apesar de ter passado 60 horas no abrigo, o tempo passou depressa e de repente é tempo de ir embora. Às 6:30h á 6 águias a voar em círculos por cima de mim e uma a uma, apanham o seu pequeno-almoço e partem – mais uma vez em direcção oposta à minha câmara. Saio com algumas imagens que “devia te” e outras que “podia ter” na minha cabeça mas de uma maneira geral, é missão cumprida. Vejo muitas Águias-pesqueiras na Escócia mas estar tão perto de tantas durante tanto tempo reforça a sua eficiência como predadores e pescadores sendo um dos mais espectaculares predadores da Europa. Uma verdadeira maravilha natural!
E é tudo. Nos últimos catorze meses conheci muitos amigos e visitei muitos lugares novos mas acima de tudo aprendi que a Europa está na verdade, cheia de maravilhas naturais. A sério! Vi coisas com os meus olhos que não conhecia e através do sentido artístico dos meus colegas, vi coisas maravilhosas que me fazem sair e explorar mais este continente.
A Águia-pesqueira é uma história humana. É o resultado de decisões de pessoas e o reconhecimento de que é bom ter esta ave por perto. Se conseguirmos mudar a sorte das águias, podemos fazer o mesmo com outras espécies. Mas todos nós precisamos de fazer escolhas importantes no nosso dia-a-dia. Mostrei algumas fotos das águias ao meu filho. Assim que lhe mostrei a primeira, disse logo: “WOW”. Fazer os Europeus dizer “WOW” é o que faz deste projecto o que ele é.
Peter Cairns / Wild Wonders of Europe
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