LAURENT GESLIN – MOLDÁVIA II
October 31st, 2009 Posted in Eastern Europe, UncategorizedOther Languages:
Apesar da minha licença oficial para fotografar no Parque Nacional de Codrii, este guarda continua a chatear-me e a dizer que não posso fotografar desde o telhado do edifício dos cientistas… Sem o meu tradutor, estou a tentar explicar que apenas estou a fotografar as luzes da manhã e que tenho autorização do próprio Director.
Provavelmente não devo ter sido suficientemente explicito pois ele agarra na minha 500mm com a minha D3 e levanta-as acima da vedação, ameaçando-as deixar cair do telhado caso eu continuasse… O meu equipamento já está a meio caminho de ser atirado ao ar quando dou por mim armado num perigoso lunático, a gritar e pronto a matar alguém com o meu tripé… O guarda deve entender francês pois dá um passo atrás e poisa cuidadosamente a minha lente em cima da minha mochila. Abandona o telhado sem dizer uma palavra com um ar ao mesmo tempo surpreso e preocupado…
Rapidamente esquecia esta aventura, lembrando-me da minha ultima tarde…
Ontem à noite quando cheguei à Reserva da Floresta de Codrii, eu e o meu tradutor, o Lucian, decidimos dar um passeio pelo limite de floresta mesmo antes do pôr-do-sol para dar uma olhadela rápida ao local. Era bom ver uma raposa ou um veado. Foi uma surpresa, ouvir pouco depois um miar de gato… Sei que existem alguns Gatos-selvagens na floresta de Codrii e que é um dos mamíferos mais raros do país. Já estava em êxtase com o som quando o Felis silvestris apareceu na erva alta a 25 metros de distância… Tive tempo para identificar o gato, apesar da sua pelagem de verão, com uma bela cauda longa e felpuda com 3 anéis pretos e uma característica linha no seu dorso, fazendo uma cruz nos ombros. “Haaaaaaaaa!!!!!”, gritava eu na minha cabeça! Deixei a minha 500mm no quarto!!! A única lente que tenho aqui é a minha 70-200mm…
O gato passou alguns minutos a olhar para nós para ver se havia algum movimento mas como não mexíamos nem uma pestana, aproximou-se mais um pouco e começou a investigar. Quando ficou a uns 15 metros, tirei algumas fotos apenas para “recordação”. Qual não foi a minha surpresa quando o gato, provavelmente intrigado pelo som da máquina, aproximou-se a menos de 5 metros! Não queria acreditar na minha sorte! Tirei umas cem fotos mas quando o vento ficou a seu favor, fugiu em direcção a um local seguro.
Na manhã seguinte, voltei ao mesmo lugar e durante 7 dias seguidos, procurei na floresta de Codrii pelo evasivo gato. Avistei corças e veados e alguns veados-sika que foram introduzidos em Codrii (e que agora estão se estão a cruzar com o Cervus elaphus) mas nem sinal do Sr. Gato. Mas durante a minha última manhã, ainda estava muito escuro, consegui fotografar outro gato selvagem. Estava prestes a passar por mim no caminho quando assobiei para o fazer parar, deixando-me tirar 5 fotos e desaparecendo de seguida. Os cientistas e o director de Codrii confirmaram que tive muita sorte, pois alguns deles apenas viram um gato selvagem uma ou duas vezes na sua vida.
Este foi o final da minha ultima missão para o Wild Wonders of Europe.
Laurent Geslin / Wild Wonders of Europe
Queiram por favor ter em consideração que as entradas no blog expressam a opinião dos nossos fotógrafos mas não necessariamente a dos directores do Wild Wonders of Europe.
Please note that blogs reflect our photographers' opinions and not necessarily those of the directors of Wild Wonders of Europe.












