FRANK KRAHMER - TRE CIME DI LAVAREDO, ITÁLIA
October 31st, 2009 Posted in Southern Europe, UncategorizedOther Languages:
A minha segunda missão levou-me aos famosos Tre Cime di Lavaredo (os Três Picos) nas Dolomites (cadeia montanhosa a sul do Tirol). A viagem estava programada para coincidir com os dias mais longos do ano, no final de Junho pois é a única altura em que a face norte dos picos é iluminada ao nascer e pôr-do-sol. Após um inverno com muita neve, o centro da minha actividade fotográfica – o albergue em Tre Cime di Lavaredo – estava aberto a 27 de Junho, após o seu acesso ter sido limpo de neve. Quando a previsão do tempo me ficou mais favorável, iniciei a viagem a 1 de Julho.
Depois de me dirigir para sul pela auto-estrada de Munique a Itália, cheguei a Misurina, uma cidade nas Dolomites já depois do almoço. Apanhei a sinuosa e íngreme estrada de Misurina para o albergue de Auronzo a 2300m de altitude. Á medida que ia subindo a vista à volta das Dolomites ficava cada vez melhor. Que fantástica paisagem montanhosa e quanto turistas me acompanham nesta paixão por paisagens!
Equipei-me apenas com o material essencial para passar alguns dias no albergue em Tre Cime, a hora e meia de caminhada. A meio caminho, em Paternsattel, apreciei uma espectacular vista à minha volta em direcção a norte na direcção dos picos de Dreischusterspitze e em direcção a sul para Zwölferkogel. Encontrava-me agora na base dos três picos e depois de uma curta descida, a típica vista dos três picos estava à minha frente.
Após ter dado entrada no albergue, estava preparado para o dia que se aproximava. O factor essencial nas montanhas é o tempo, que decide todas as actividades fotográficas. Por esta altura, soprava um fraco vento vindo dos Alpes a Este e um vento forte de Oeste. Como consequência, a Alemanha a Norte, era afectada por um pouco habitual clima quente e húmido enquanto a Itália continuava com o tempo quente. Por isso, o Tre Cime encontra-se mesmo na fronteira destes sistemas meteorológicos e eu pensava no que estaria ainda para vir. Será que vou ter a oportunidade de ver as famosas paredes iluminadas ao nascer e pôr-do-sol? Será que o tempo vai mudar para pior ou melhor?
Os dias seguintes foram completamente impresvisiveis. Por vezes o límpido céu azul dava lugar a nuvens dramáticas, que cobriam tudo e carregavam consigo, fortes aguaceiros. Iam e vinham constantemente e não podia confiar em previsões. Por isso fiquei sempre do lado de fora enquanto via os céus a mudar, sempre à procura de locais interessantes com um bom primeiro plano que se adequasse aos picos no fundo.
No fim de contas, tive apenas uma hipótese de ver o nascer do sol com as montanhas banhadas em luz quente, o qual usei para fotografar Tre Cime desde a base do Paternkofel, o dramático pico a Este de Tre Cime.
Por vezes, Tre Cime desaparecia completamente sob as nuvens, para aparecer por completo, pouco tempo depois. Ondas de luz e sombra passavam sobre as montanhas circundantes quando as nuvens passavam por cima. Ao usar exaustivamente a minha lente olho-de-peixe, consegui fotografar o céu dramático e as montanhas na mesma imagem.
Um dos meus objectivos era fotografar o reflexo do Tre Cime na água, que já alguns colegas me disseram que seria difícil mas não impossível este ano, devido à enorme quantidade de neve que derretia. Infelizmente, a charca junto ao albergue tinha secado e não havia mais nenhuma perto. Felizmente no último dia, encontrei uma poça com 1m² e não havia vento. Depois de ter rastejado quase para dentro de água consegui uma boa imagem dos picos, com o seu reflexo na água, com a minha grande-angular. Este foi o fim de uma excitante e bem sucedida viagem ao coração das Dolomites apesar do tempo não estar a meu favor. Mas é certo que voltarei a este excitante lugar!
Frank Krahmer / Wild Wonders of Europe
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