BRUNO D’AMICIS - TATRAS OCIDENTAIS, ESLOVÁQUIA I
October 30th, 2009 Posted in Southern Europe, UncategorizedOther Languages:
É 1 de Junho e o inicio da minha missão para o Wild Wonders. Depois de 2 dias de viagem desde o calor que se fazia sentir na Itália central até aos verdes sopés da cordilheira das montanhas Tatra, cá estou eu finalmente, a caminhar no vale do Kouprova em direcção a Ticha nas Tatras ocidentais.
Encontro-me aqui junto com os meus dois amigos Erik Baláz e Robert Rajchi, com quem tenho trabalhado na área desde há três anos. O nosso objectivo é alcançar o topo de uma montanha e do seu alto, tentar localizar ursos a alimentarem-se na nova erva verde. Á medida que caminhamos, o topo das montanhas está encoberto por um manto branco de nuvens e um vento frio de norte sopra quase sem parar. Para ajudar, a minha mochila está cheia de comida, roupas e claro está, muito equipamento fotográfico que me faz suar e respirar mais rápido. Após uma dolorosa subida através de uma floresta de abetos, chegamos aos que se encontram mais alto e entramos na zona dos pinheiros anões siberianos (Pinus pumila). Os ramos flexíveis das plantas estão carregados com humidade e balançam na nossa direcção originando uma desagradável chuva de gelo à medida que nos vamos deslocando – estamos encharcados. Por esta altura, as nuvens encontram-se à nossa volta; a visibilidade é agora de cerca de 10 metros. De vez em quando o vento trás consigo alguns flocos de neve; o chão está coberto por 10cm de neve e em nenhum lado se vê a erva verde de Junho: não é um inicio muito promissor para uma expedição fotográfica.
À medida que chegamos ao nosso ponto de observação, é quase de noite. Estou a vestir as minhas roupas mais quentes e simplesmente observo a desolada paisagem. Após mordiscar uma barra de chocolate, começo a brincar com a minha câmara e vou fazendo uns abstractos.
De repente, algo acontece. A magia, tão inesperada, torna as minhas experiências nas montanhas tão especiais e fazem-me esquecer as dificuldades que passei… A camada de nuvens, vai-se tornando cada vez mais fina e dourada com os últimos raios de sol. Os cumes altos aparecem por entre o nevoeiro e um raio de sol atinge-me, projectando a minha sombra na encosta da montanha á minha frente, tornando-a gigantesca e rodeada por um fabuloso halo. O céu está azul e as nuvens cor-de-rosa. Disparo entusiasmado; agradecido e quase em lágrimas.
Mas este é apenas um momento e este raro fenómeno óptico rapidamente desaparece.
Agora, as nuvens estão a desaparecer. Ainda tenho tempo para fotografar o vale com um nevoeiro azulado e o cume do monte Krivan (símbolo nacional da Eslováquia) com as ultimas luzes antes que fique tudo limpo. Estou demasiado excitado para ir dormir e quando a escuridão chegar ainda vou estar na serra a tentar fotografar estrelas com longas exposições. A noite é fria, bem abaixo dos 0º. Rastejo para o meu saco de cama, cansado e a sonhar com os ursos que virão…
Bruno D’Amicis / Wild Wonders of Europe
Queiram por favor ter em consideração que as entradas no blog expressam a opinião dos nossos fotógrafos mas não necessariamente a dos directores do Wild Wonders of Europe.
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