DANIEL BERGMANN - O FALCÃO GERIFALTE DO NORTE DA ISLÂNDIA
June 26th, 2009 Posted in Northern Europe, UncategorizedOther Languages:
Estou prestes a embarcar numa missão do Wild Wonders que me vai levar até ao norte da Islândia e o objectivo é o Falcão-gerifalte, o maior falcão do mundo e o que habita mais a norte.
Para me preparar para a minha missão, fiz uma viagem de pesquisa em Abril para saber onde estavam e nidificavam os falcões que podiam ser fotografados. Nem todos os territórios de falcão se adequam à fotografia devido às distâncias a percorrer e à localização dos ninhos. A tendência é para fazerem os ninhos em penhascos altos, sempre que têm a oportunidade, mas de vez em quando lá há um casal que o faz num penhasco mais baixo, e é exactamente isso que procuro.
Pensa-se que a Islândia é o habitat de cerca de um quarto de toda a população Europeia. Mesmo assim, estamos a falar de números muito baixos: cerca de 300-400 casais que na sua maior parte se reproduzem a norte do País.
A sua principal presa é o Lagópode-branco-das-rochas e são tão dependentes deste que sem eles não sobrevivem. Quando as crias eclodem, os machos de lagópode ainda apresentam a plumagem branca de inverno, tornando-se presas fáceis para o falcão, à medida que a neve vai derretendo e estes se tornam cada vez mais visíveis na paisagem. Quando fazem a transição para a plumagem de verão e se misturam com o ambiente que os rodeia, os falcões mudam a sua dieta para outras presas tais como patos e limícolas.
Na minha viagem de pesquisa em Abril, fiquei curioso em saber se uma determinada fêmea de plumagem clara, que é conhecida por nidificar na zona, ainda se encontrava no seu território. Começou a nidificar ali em 2000, e como um falcão atinge a idade de reprodução aos 4 anos, esta fêmea já deveria ter uns 14 anos. O mais velho falcão anilhado que foi recapturado na Islândia tinha 18 anos de idade, vivendo muito tempo. Mas não é um ambiente onde seja fácil de viver e a sobrevivência não é garantida.
Fiquei contente por ver que a fêmea ainda se encontrava no seu território e entusiasmado por descobrir que tinha escolhido pôr os seus ovos num antigo ninho de corvos, que fica a apenas alguns metros do chão. Já tinha posto um ovo quando cheguei e estava pousada perto do ninho á espera para por mais um ovo, com ar pensativo.
Daqui a duas semanas, as crias saem do ovo e os falcões vão andar ocupados a alimentá-las e a tratar delas. É uma altura importante para os falcões e também para o fotógrafo, que tem a oportunidade de observar e registar o momento mais preciosos e intimo do ano para um falcão – a criação da sua prole.
Daniel Bergmann
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