STAFFAN WIDSTRAND – MONTEJO DE LA VEGA, CASTELA E LEÃO, ESPANHA
April 20th, 2009 Posted in Southern Europe, UncategorizedOther Languages:
Morte intensa, cheiro a sangue e vida intensa
-Blog de abutres número um de Montejo de la Vega, Castela e Leão, Espanha
À primeira vista é mais parecido com África. Por cima das íngremes e rochosas encostas, está uma nuvem de Abutres á deriva no vento. É difícil contá-los mas são seguramente uns 200. São na sua maior parte Grifos, acompanhados de Abutres do Egipto e algumas Gralhas-de-Bico-Vermelho, Corvos e Cegonhas Brancas.
Mas não estamos na Savana da África Oriental. Este é o canhão do rio Riaza, perto da pequena vila de montanha de Montejo de la Veja, na província de Castela e Leão em Espanha a hora e meia de Madrid.
Aqui existe um “Refúgio de rapaces”, uma reserva de aves de rapina, criada pela WWF de Espanha/Adena à 34 anos,inspirada pelo grande documentarista Félix Rodrigues de la Fuente.
Eles não só criaram esta reserva, mas talvez ainda mais importante, deram início a um “Muladero”, um restaurante para Abutres. A ementa aqui servida talvez não seja a mais variada – ovelhas mortas, cabras, porcos e pontualmente um cavalo, vaca ou mula - mas a quantidade é muita e estes sempre foram alguns dos favoritos destes gigantes alados desde há muito tempo. Tem sido, juntamente com outras estações espalhadas pelo país, de uma enorme importância no regresso dos Abutres nos últimos 30 anos. Agora são mais de 300 os casais em idade reprodutora nesta zona do canhão e o número de indivíduos aumentou de 100 para 900 durante esse período.
Mais recentemente a área foi alargada e declarada “Parque Natural Hoces del Rio Riaza”. Nas íngremes paredes rochosas, os Grifos alimentam-se lado a lado com alguns pares de Abutres do Egipto, Bufo real, Gralhas-de-Bico-Vermelho, Falcões Peregrinos, Peneireiros e Milhafre Real.
Isto é a Conservação da Natureza no seu melhor – tal como é vista.
Juntámo-nos a Jesús Hernando Iglésias, que é o encarregado do local, a trabalhar para a WWF Espanha/Adena desde há 20 anos, para alguns dias junto do seu trabalho no restaurante dos Abutres. Vamos ajudá-lo a descarregar uma carrada de ovelhas mortas e dois porcos e depois contamos os números nas anilhas das patas dos Abutres que vão chegando.
A estação de alimentação está situada mesmo no rebordo da montanha, com vista para o canhão. Montanhas de ossos acumulam-se na área desde há três décadas. Uma vista pouco agradável.
Apreciamos a singular oportunidade de ver os Abutres a alimentarem-se a apenas alguns metros de distância, durante os próximos dois dias. Tudo no conforto de um abrigo propositadamente construído por Joachim Griesinger. Joachim é Alemão, dono e director da agência de viagens internacional de natureza “Reisen in Die Natur”, que durante os últimos 20 anos trouxe algumas centenas de visitantes a este local, oferecendo encontros próximos com estes fantásticos Abutres. È um a pessoa conhecida e bastante apreciada na zona, respeitado por trazer turistas estrangeiros para o bar, a loja e residencial desta pequena aldeia de montanha, onde ficámos no aconchegante Centro de Turismo Rural “La Huerta”, tal como os turistas da “Reisen in Die Natur”.
Joachim Griesinger certifica-se que nada nos falta. É simplesmente um dos heróis por tornar o Wild Wonders of Europe acessível a todos nós.
Entramos no abrigo, ainda o dia não nasceu. Monto o meu tripé Gitzo 5541 LS e preparo todo o resto para a acção.
Aos primeiros raios de luz, já depois do Sol ter nascido, os primeiros convidados alados do restaurante, encontram-se preparados e pouco tempo depois, pelo menos 300 necrófagos chegam, alinhados e á espera que algo comece. Após alguma espera nervosa, a fome ganha a alguns que imediatamente começam a correr para as carcaças para se alimentarem. Em apenas fracções de segundo, todos os outros reclamavam a sua parte, querendo ser sempre os primeiros a chegar…
Tipo o baile, em que toda a gente quer dançar mas ninguém quer ser o primeiro…
Em pouco tempo é o caos total – o frenesim da alimentação é uma experiência fascinante – muito natural e instintiva e ao mesmo tempo uma visão macabra; ralham, lutam, há sangue, tripas, pó, penas, pêlos, lã e conteúdos de estômago por todo o lado.
Existe algo de de dinossáurio ou reptiliano nos longos pescoços dos abutres, cobertos de sangue fresco e sucos gástricos nesta cena de alimentação e luta. Após uma ou duas horas comera cerca de 400 kg de carne: dois porcos grandes e duas ovelhas forma consumidas atá aos ossos e agora os abutres vagueiam por ali, completamente empanturrados, aproveitando os quentes raios de Sol com as suas asas abertas.
Que trará o próximo dia…?
Staffan Widstrand
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